Brechós vivem novo momento no Brasil: como a Geração Z está revolucionando a moda e impulsionando a sustentabilidade

Por Cida Miquelão

Durante décadas, os brechós foram vistos apenas como uma alternativa econômica para quem buscava economizar na compra de roupas. Hoje, esse cenário mudou radicalmente.

O mercado de moda de segunda mão cresce de forma consistente no Brasil, impulsionado por uma nova geração de consumidores que enxerga a moda muito além das tendências: como uma ferramenta de expressão, responsabilidade ambiental e transformação social.

A principal protagonista dessa mudança é a Geração Z, formada por jovens nascidos entre meados da década de 1990 e o início da década de 2010.

Mais conectados, informados e atentos às questões climáticas, esses consumidores passaram a questionar os impactos da indústria da moda e a adotar hábitos de consumo mais conscientes. Nesse contexto, os brechós deixaram de ser uma opção alternativa para ocupar um espaço de destaque no varejo de moda.

Da cultura do descarte à economia circular

O crescimento dos brechós acompanha um movimento mundial em direção à economia circular, modelo que busca prolongar o ciclo de vida dos produtos e reduzir o desperdício de recursos naturais. Na moda, isso significa reutilizar, restaurar, customizar e ressignificar peças que ainda possuem excelente qualidade, evitando que sejam descartadas precocemente.

Ao adquirir uma roupa em um brechó, o consumidor contribui diretamente para diminuir a necessidade de produção de novas peças, reduzindo o consumo de água, energia, matérias-primas e a emissão de gases de efeito estufa.

Mais do que uma escolha financeira, comprar em brechós tornou-se uma decisão ambiental.

O outro lado da moda: os impactos do fast fashion

Enquanto a moda circular ganha força, cresce também o debate sobre os impactos provocados pelo modelo conhecido como fast fashion. Caracterizado pela produção acelerada de coleções e pelo incentivo ao consumo constante, esse sistema trouxe maior acesso às tendências, mas também gerou consequências ambientais e sociais preocupantes.

Entre os principais impactos do fast fashion destacam-se:

  • consumo excessivo de água na produção têxtil;
  • utilização intensiva de matérias-primas e recursos naturais;
  • emissão significativa de gases responsáveis pelo aquecimento global;
  • geração crescente de resíduos têxteis destinados a aterros sanitários;
  • descarte precoce de roupas com pouca durabilidade;
  • liberação de microplásticos provenientes de tecidos sintéticos durante as lavagens;
  • pressão sobre cadeias produtivas marcadas, em alguns casos, por condições precárias de trabalho e baixos salários.

Esse modelo incentiva uma lógica de consumo baseada na obsolescência das tendências, fazendo com que milhões de peças sejam produzidas, utilizadas por pouco tempo e descartadas rapidamente.

Exclusividade também é sustentabilidade

Ao contrário da produção em massa, os brechós oferecem peças únicas, muitas vezes confeccionadas com materiais de maior qualidade e acabamento superior ao encontrado em parte da moda produzida atualmente.

Essa busca pela originalidade tem atraído consumidores que desejam construir uma identidade própria, fugindo da padronização das vitrines e valorizando a história que cada peça carrega.

Para a Geração Z, vestir-se também é comunicar valores. Escolher roupas reutilizadas representa um posicionamento favorável ao consumo responsável, à preservação ambiental e à valorização da moda como patrimônio cultural.

O Brechó Garimpo Chic BH e o fortalecimento da moda circular

Em Belo Horizonte, o Brechó Garimpo Chic BH acompanha de perto essa transformação do mercado. Mais do que comercializar roupas e acessórios, o brechó atua como agente de conscientização sobre a importância da moda circular, incentivando o reuso, o consumo inteligente e a valorização de peças cuidadosamente selecionadas.

Cada roupa que encontra um novo guarda-roupa representa menos resíduos têxteis descartados, menor demanda por novas produções e uma contribuição efetiva para um modelo de consumo mais equilibrado e sustentável.

O crescimento dos brechós demonstra que é possível unir estilo, qualidade, exclusividade e responsabilidade socioambiental. A moda do futuro talvez não esteja nas próximas coleções lançadas pelas grandes marcas, mas nas peças que já existem, prontas para escrever uma nova história.

Muito além de uma tendência

O avanço do mercado de brechós no Brasil não representa apenas uma mudança de comportamento do consumidor. Trata-se de uma transformação cultural que redefine a relação das pessoas com o vestir, o consumo e o meio ambiente.

Ao escolher uma peça de segunda mão, o consumidor deixa de ser apenas um comprador e torna-se participante de um movimento que valoriza a sustentabilidade, combate o desperdício e incentiva uma economia mais ética e consciente.

No fim das contas, a roupa mais sustentável é aquela que já foi produzida e continua sendo usada. É justamente essa lógica que faz da moda circular um dos caminhos mais promissores para o futuro da indústria da moda.

Cida Miquelão
Cida Miquelão

Cida Miquelão
@cidamiquelao
Bacharel
Designer - UEMG
Design e Moda
Figurinista
Upcycling
Moda Circular ♻️
Brechó Garimpo Chic
Pesquisadora
Libriana
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http://lattes.cnpq.br/8092053334843802

Sou figurinista e designer de moda, atualmente cursando o oitavo período do Bacharelado em Design de Moda na Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Atuo na área de figurino em produções audiovisuais e teatrais, tendo participado como assistente de figurino na minissérie Azul Celeste (2022, ainda não exibida), no Especial de Natal da TV Globo Minas (Comadres, 2022) e no especial de final de ano da emissora (Vivo ou Morto, 2023), ambos registrados na ANCINE através da agência de audiovisual Dromedário, em Belo Horizonte. Integrei também a equipe de figurino da peça O Toró, da Trupe do Teatro, lançada em 2023. Além disso, participei do backstage de desfiles no Minas Trend, tanto para a renomada marca Skazi quanto para o coletivo de designers Acrie, na 30ª edição do evento, atuando tanto no desfile de lançamento como na montagem da exposição dos looks apresentados.
Sou formada em Técnica de Patologia Clínica pelo COLTEC da UFMG e possuo uma vasta experiência de 25 anos na área comercial do atacado de moda, tendo atuado como gerente de vendas no Barro Preto, um renomado polo de modas em Belo Horizonte. Também trabalhei em São Paulo por oito meses, promovendo o conceito da Moda Mineira para a mesma empresa. Minhas responsabilidades abrangeram a seleção e formação de equipes, gerenciamento de compras focadas no público-alvo, desenvolvimento de conceitos para vitrines, organização da loja e controle de vendas e estoques.
Participei ativamente da criação de catálogos e lookbooks para lançamentos de coleções, envolvendo-me desde o conceito inicial, casting, seleção de looks, produção executiva, escolha final das fotografias até a divulgação por meio de desfiles e eventos, sempre visando a manutenção e captação de clientes. Posteriormente, aceitei um convite de uma empresa de moda de Divinópolis, atuando como representante da marca em Belo Horizonte, promovendo e vendendo produtos por meio de um escritório de representação. Essa experiência me incentivou a abrir minha própria loja de roupas, com foco em alfaiataria, moda atemporal e acessórios.
Devido às mudanças econômicas entre 2015 e 2016, encerrei a loja e passei a atuar como consultora de vendas para uma marca de roupas femininas em Belo Horizonte. Durante cinco anos, trabalhei em Guarapari (ES), captando clientes de atacado e organizando eventos no showroom da marca em Belo Horizonte.
Na vida acadêmica, participei de um projeto de iniciação científica pelo PAPq/UEMG, como autora da pesquisa “Ferramentas para multiplicadores em design de moda: estudo de casos na região metropolitana de Belo Horizonte”, apresentada em seminários e eventos da área. Atualmente, sou pesquisadora vinculada ao Programa de Apoio a Projetos de Extensão da UEMG (PAEx/UEMG), atuando como autora do projeto “Capacitação em costura de moda íntima autossustentável para a formação do núcleo de agentes multiplicadores no município de Conselheiro Pena - MG”, com duração de dois anos e em sua primeira fase de conclusão.
Ao longo da carreira, participei de diversas palestras e workshops sobre moda, tendências, consumo, comportamento e técnicas de upcycling, áreas nas quais tenho especial interesse e atuação.

Experiências em figurino e audiovisual:

Figurinista no filme Eterna Possessão (2024), Figurinista na mini série Show da Gente (2024), Olívias Assistente de Figurino (2025), Assistente de figurino na minissérie Azul Celeste (2022, ainda não exibida), assistente de figurino no Especial de Natal da TV Globo Minas – Comadres (2022), assistente de figurino no Especial de fim de ano da TV Globo Minas – Vivo ou Morto (2023), integrante da equipe de figurino da peça O Toró, da Trupe do Teatro (2023), atuação no backstage de desfiles da marca Skazi na 30ª edição do Minas Trend, atuação no backstage de desfiles do coletivo Acrie na 30ª edição do Minas Trend.

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